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Pesquisa revela novos hábitos das famílias joseenses no enfrentamento da crise

Trabalho de Conclusão de Curso de alunas de Ciências Contábeis da Faculdade Bilac aponta mudanças no perfil de consumo da classe média e alerta sobre a importância do planejamento financeiro

 

Cerca de 80% dos joseenses efetuaram alguma mudança no orçamento para lidar com a crise e 78% estão endividados, segundo estudo realizado por alunas de Ciências Contábeis da Faculdade Bilac.  As formandas Célia Martins, Gislene Borges, Pamela Silva e Poliana Nascimento aplicaram uma pesquisa em 200 famílias das principais regiões da cidade durante o mês de junho, sob orientação dos professores Carlos de Oliveira e Carlos Cezar Mascarenhas.  “Procuramos avaliar e analisar as diversas formas de como as famílias estão se adequando à crise para identificar mudanças nos hábitos de consumo”, explicaram as autoras.

O perfil dos entrevistados é de classe média: 57% revelaram renda de até R$ 1.760,00 e 20% ganham de R$ 1.761,00 a R$ 3.520,00, sendo que 89% relataram ter de 1 a 3 membros no núcleo familiar. Com a crise, 36% afirmaram ter algum membro da família desempregado. O maior impacto foi na área da saúde: O “aperto” no orçamento fez com que mais de 50% das famílias abrissem mão de planos de saúde médico e odontológico nos últimos dois anos.

Entre as principais mudanças, 22% dos entrevistados revelaram redução de despesas com lazer e viagens; 11% estão indo menos ao supermercado; 10% cortaram alimentação em restaurantes; 7% diminuíram a utilização do veículo; 7% reduziram gastos com água, luz e telefone; 7% substituíram produtos por marcas mais baratas; 6% diminuíram as compras a crédito; 5% reduziram compras com vestuário, 4% cortaram TV a cabo e 2% deixaram de investir no mercado financeiro.

“Percebemos que houve um aumento considerável de preços entre os produtos e serviços de consumo básico, como alimentação, água, luz, telefone e combustível. Como é difícil reduzir esses itens, outras áreas como lazer e saúde acabaram sofrendo mais o impacto dos cortes”, afirma o orientador do estudo, Prof. Dr. Carlos Mascarenhas. Das motivações para as mudanças, 35% alegaram aumento de preço, 27,5% apontaram redução na renda, 23,5% deixaram de comprar por falta de confiança na economia, 8,5% por instabilidade política e 5,5% por desemprego.

Cartão de crédito lidera dívidas e investimentos diminuem

Mais de 54,5% dos entrevistados responderam possuir dívida com cartão de crédito, 30,5% possuem dívida com financiamento de veículos, 21% possuem dívida com empréstimos e apenas 20,5% possuem dívida com financiamento de imóveis. Com o alto índice de endividamento, os investimentos ficam em segundo plano. Embora 54% afirmem possuir algum tipo de investimento, como caderneta de poupança e previdência privada, o volume tem sido reduzido nos últimos 2 anos devido a redução da renda, instabilidade política e econômica e desemprego.

Planejamento financeiro é chave para enfrentar a crise

A partir dos resultados, o trabalho das alunas ressaltou a importância do planejamento financeiro para lidar com a crise, lembrando que não se trata apenas de equilibrar receitas e despesas, mas também avaliar objetivos de vida, aprender a fazer escolhas inteligentes nas compras, evitar desperdícios, rever necessidades e prioridades visando o futuro. “O maior erro é não se planejar, mesmo sabendo que podemos sempre nos deparar com momentos difíceis na economia” ressaltam as alunas, lembrando que o ato de planejar implica analisar o panorama para traçar metas viáveis a serem conquistadas, garantindo a concretização dos objetivos pessoais.